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Investigação • 11 jul 2018
Portugal está a perder população. Nascimentos precisam-se!
Sónia Pintassilgo

O saldo populacional, em Portugal, é negativo desde o início da década (2010). Os nascimentos são poucos, e nem a inversão do saldo migratório (em 2017) consegue corrigir esta tendência. O envelhecimento da população acentua-se, e a redução da fecundidade e o aumento da esperança média de vida justificam, em parte, esta realidade. Sónia Pintassilgo, investigadora no CIES-IUL e membro do Laboratório de Estudos Sociais sobre o Nascimento, tem contribuído para compreender esta tendência.

A substituição das gerações é um tema premente e exige medidas urgentes, não só pela sua necessidade como para reverter os efeitos da crise nesta matéria. Aos reduzidos níveis de fecundidade associa-se um calendário cada vez mais tardio.

Assim, Portugal tem registado, ao longo das últimas décadas, uma descida acentuada do número médio de filhos por mulher, sendo, em 2015, o país com o menor valor da União Europeia (1,31 filhos por mulher). A idade média das mulheres no nascimento do primeiro filho, por seu lado, é já superior a 30 anos. A estas mudanças não são alheias a maior escolarização das mulheres e o seu papel no mercado de trabalho, a redefinição dos modelos de família, o acesso generalizado a contracetivos e a redefinição do valor social da criança e dos filhos.

É importante sublinhar que as condições socioeconómicas dos pais tendem a influenciar os níveis de fecundidade e as condições do nascimento, conforme aponta a análise realizada pela investigadora, em co-autoria com Helena Carvalho, num artigo publicado na revista Sexual & Reproductive Healthcare.

Sónia Pintassilgo sublinha que ‘a associação entre estatutos sociais elevados e formas fortemente medicalizadas de assistência revela a procura de um modelo biomédico de assistência ao nascimento, que se traduz em durações de gravidez tendencialmente padronizadas, na concentração dos nascimentos em determinados dias da semana, numa elevada percentagem de cesarianas, sobretudo no setor privado.’

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