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institucional • 09 mar 2018
Tomada de posse da Reitora do ISCTE-IUL

A Professora Maria de Lurdes Rodrigues tomou posse como Reitora do ISCTE-IUL para o período 2018-2022 no passado dia 8 de março de 2018.

Tomaram também posse os Vice-Reitores Elisabeth Reis (pelouro do Desenvolvimento de Recursos Humanos), Isabel Salavisa (pelouro da Investigação), Jorge Costa (pelouro dos Sistemas de Informação e da Qualidade), José Azevedo Rodrigues (pelouro das Finanças) e Maria das Dores Guerreiro (pelouro da Internacionalização).

Poderá ver em baixo um vídeo com um pequeno resumo da cerimónia e aceder ao discurso de tomada de posse.

Tomada de Posse da Reitora do ISCTE-IUL, Maria de Lurdes Rodrigues

Discurso de tomada de posse da Reitora do ISCTE-IUL

"Senhor Presidente do Conselho Geral
Caros membros do Conselho Geral
Senhor Presidente do Conselho de Curadores e demais membros presentes
Distintos convidados
Caros colegas, funcionários e estudantes

 

O ISCTE-IUL celebrou já 45 anos.

45 anos de história de afirmação continuada no sistema público do ensino universitário nacional.

O desafio deste meu mandato é continuar essa boa história. Uma história de sucesso partilhada por docentes e  investigadores, funcionários, estudantes e ex-alunos.

Gostaria, antes de mais, de homenagear essa história, recordando e agradecendo o papel dos meus antecessores imediatos na direção da instituição.

Recordo e agradeço o papel do Professor João Ferreira de Almeida na consolidação da definição universitária do ISCTE, nomeadamente com a aprovação dos Estatutos de 2000. Os Estaturos de 2000 fizeram do ISCTE uma universidade de facto, mesmo que ainda não de nome, consagrando o desenvolvimento institucional entretanto conseguido.

Recordo e agradeço o papel do Professor Luís Reto, em particular na consolidação bem-sucedida do ISCTE num ambiente de mudança profunda, com a aplicação do Processo de Bolonha e do RJIES, e com a passagem do ISCTE a instituto universitário fundacional.

A passagem ao regime fundacional foi o passo definitivo de afirmação do estatuto universitário pleno da instituição, inicialmente Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, agora ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.

Muito obrigada.

Enquanto instituição universitária, o ISCTE-IUL tem uma missão clara: contribuir para a sociedade desempenhando bem a sua missão de ensino, de investigação e de valorização do conhecimento. O principal compromisso que hoje assumo é pois o de contribuir para assegurar as condições que permitam afirmar o ISCTE-IUL como instituição de conhecimento.

Instituição de conhecimento significa instituição com capacidades sempre acrescidas para produzir e transmitir conhecimento nos níveis mais elevados e avançados. Esta será a melhor forma de servirmos a sociedade. E esta será, também, a melhor forma de afirmarmos o ISCTE-IUL no espaço nacional e internacional das instituições universitárias.

Afirmar o ISCTE-IUL, no espaço nacional e internaccional, é aprofundar o seu estatuto de instituto universitário num quadro de desenvolvimento baseado na especialização e na qualificação das suas atividades.

Afirmar o ISCTE-IUL é valorizar a sua posição no sistema universitário, potenciando a sua reputação em todas, repito, em todas as áreas disciplinares em que se especializou, promovendo a interdisciplinaridade entre elas e praticando uma colaboração alargada com outras instituições universitárias.

Defender a centralidade do conhecimento na atividade das instituições universitárias, afirmá-las como instituições de conhecimento, tem consequências.

Dessa afirmação decorrem, em particular, princípios organizadores-chave. Em primeiro lugar, os princípios da liberdade e da autonomia no trabalho de investigação e de docência. E em segundo lugar, os princípios da colegialidade e do pluralismo que devem integrar o modelo de gestão da instituição.

A combinação daqueles princípios – liberdade e autonomia; colegialidade e pluralismo – permite estruturar e viabilizar a nossa ação naquilo que ela tem de mais distintivo. Permitam-me, apenas, uma referência ilustrativa do que afirmo.

Enquanto instituições de conhecimento, as universidades são/devem ser lugares de descoberta e inovação. Porém, descoberta e inovação não se podem programar, pelo simples facto de não se poder programar o que ainda não foi descoberto. O que se pode é proporcionar condições apropriadas de trabalho que incentivem, que estimulem e potenciem a realização de atividades de investigação, de ensino e de valorização do conhecimento. Tirando todo o proveito da iniciativa individual e coletiva dos investigadores e professores, em contextos organizacionais dotados de autonomia científica e pedagógica.

Por isso, o meu compromisso, aqui e agora claramente assumido: contribuir para criar aquelas condições de trabalho, num quadro de autonomia e participação reforçadas.

As instituições de ensino superior devem ser agentes ativos na promoção de políticas públicas para o ensino superior e a ciência. Não apenas agentes reativos a essas políticas, mas fóruns de reflexão e discussão sobre elas, mobilizando para o efeito o conhecimento que produzem. As instituições de ensino superior devem também participar na elaboração de pareceres e propostas sobre iniciativas legislativas, por iniciativa própria e em cooperação,  no quadro do CRUP e do CCISP, mas não só.

Enquanto cidadãos de um dos países mais desiguais da Europa, não podemos ignorar as consequências de um modelo de financiamento que sobrecarrega as famílias com uma intensidade sem paralelo no espaço da União Europeia. Não podemos ignorar as consequências negativas do modelo de financiamento, em particular, nos domínios da democratização e da generalização do acesso ao ensino superior, onde ainda temos que progredir se nos quisermos comparar com os nossos parceiros europeus mais avançados.

Não deixando de debater o modelo de financiamento e de reflectir sobre as suas consequências, podemos, desde já, aprofundar a intervenção nos domínios do apoio social e económico, direto e indireto, com responsabilidades partilhadas entre a tutela e as instituições de ensino superior.

Também aqui quero deixar bem claros dois compromissos. Primeiro, o de contribuir para dar voz pública ao ISCTE-IUL no campo das políticas de ensino superior e de ciência, de modo autónomo e em cooperação com as outras instituições universitárias, desde logo no quadro do CRUP. Segundo, o de contribuir para, em cooperação com os estudantes, alargar no curto prazo o quadro dos apoios sociais indiretos.

A ideia de universidade casa mal com a de fechamentos paroquiais. A afirmação e desenvolvimento das universidades requerem pois cooperação e parcerias interuniversitárias. Cooperação e parcerias nos domínios próprios da atividade universitária, na produção, ensino e valorização do conhecimento. Cooperação e parcerias concretizadas em incentivos à circulação de alunos, professores e investigadores, bem como no desenvolvimento de projetos conjuntos de investigação, ensino e disseminação. Cooperação também, como atrás se referiu, no domínio das políticas públicas de ensino superior e de ciência. E cooperação, ainda, no plano da criação e gestão de infraestruturas e apoios sociais de base territorial comum.

A competição saudável entre instituições do ensino universitário não pode nem deve destruir o espaço de cooperação que é indispensável à sua afirmação no plano internacional. Neste plano, as instituições de ensino superior têm interesses comuns e objetivos que precisam de escala para serem bem concretizados. Escala que se compatibiliza melhor com a autonomia de cada instituição quando é conseguida através da cooperação em programas conjuntos, como é o caso dos programas de promoção, no exterior, de uma imagem positiva do sistema de ensino superior.

Neste sentido, comprometo-me a contribuir para a participação
do ISCTE-IUL na criação, revitalização e aprofundamento de parcerias interuniversitárias de âmbito bilateral e multilateral, nomeadamente nos domínios académicos, da internacionalização e da ação social.

O programa que apresentei na minha candidatura a Reitora inclui uma especificação pormenorizada dos objetivos e compromissos com que me responsabilizei. Hoje, aqui, quis simplesmente sublinhar alguns dos compromissos mais gerais e de âmbito mais público. Espero que, com a mobilização e a participação de todos, consiga cumprir o que me proponho fazer e consiga valorizar a boa herança que recebo.

Agradeço a confiança que me deram para o exercício do cargo de Reitora.
Agradeço, sobretudo, a todos os membros da comunidade ISCTE-IUL que fizeram da instituição o que ela é hoje.

Conto com todos. Muito obrigada."

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