PT
O envelhecimento populacional coloca desafios crescentes às sociedades contemporâneas, sobretudo
no que diz respeito à garantia de condições dignas de vida para pessoas idosas em contextos de
vulnerabilidade social. A crescente necessidade de respostas habitacionais que articulem cuidado,
autonomia e integração social exige modelos que superem a lógica da institucionalização tradicional e
valorizem a participação ativa na velhice.
Esta investigação tem como objetivo compreender de que modo a residência assistida se traduz numa
solução habitacional promotora do envelhecimento ativo, ao oferecer suporte formal sem
comprometer a autonomia dos residentes. Com recurso a uma abordagem qualitativa, centrada na
condução de entrevistas em profundidade com pessoas idosas e na observação participante do
quotidiano de uma residência assistida, a análise permitiu explorar trajetórias de vida marcadas por
insegurança habitacional, pobreza e isolamento, bem como os processos de transição e adaptação ao
novo contexto habitacional.
Os resultados revelam formas diversas de apropriação dos espaços, utilização seletiva dos serviços
disponíveis e construção de vínculos sociais, evidenciando que o envelhecimento ativo pode ser
promovido mesmo em ambientes institucionais, desde que respeitada a individualidade, a
continuidade biográfica e a capacidade de escolha. A residência assistida emerge, assim, como uma
resposta social com potencial para mitigar desigualdades acumuladas ao longo da vida e promover um
envelhecimento mais justo, autónomo e integrado.
EN
Population ageing presents growing challenges to contemporary societies, particularly regarding the
assurance of dignified living conditions for older people in contexts of social vulnerability. The
increasing demand for housing solutions that combine care, autonomy, and social integration calls for
models that go beyond traditional institutionalisation and value active participation in later life.
This research aims to understand how assisted living can serve as a housing solution that promotes
active ageing by providing formal support without compromising residents’ autonomy. Using a
qualitative approach, based on semi-structured interviews with older individuals and participant
observation of daily life in an assisted living facility, the analysis explores life trajectories marked by
housing insecurity, poverty, and social isolation, as well as the processes of transition and adaptation
to the new residential context.
The findings reveal diverse ways of appropriating space, selective use of available services, and the
building of social bonds, highlighting that active ageing can be fostered even in institutional settings,
provided that individuality, biographical continuity, and the capacity for choice are respected. Assisted
living thus emerges as a social response with the potential to mitigate lifelong inequalities and promote
a fairer, more autonomous, and integrated ageing process.