PT
O presente estudo teve como objetivo analisar a forma como os fatores motivacionais
primários da Teoria da Ação Planeada (TAP; Ajzen, 1991) se relacionam com a intenção de
reforma gradual. Considerou-se ainda o papel moderador da identidade ocupacional e
profissional. A amostra (n=259) foi recolhida através de um questionário online e tinha uma
média de idade de 55,7 anos. As análises incluíram correlações, regressões lineares múltiplas e
modelos de moderação. Contrariamente ao previsto, nenhuma das hipóteses foi confirmada: a
atitude apresentou uma relação negativa e significativa com a intenção de reforma gradual, já
as normas subjetivas e o controlo comportamental percebido não revelaram efeitos
significativos. A identidade ocupacional e profissional não moderou nenhuma das relações,
contudo os resultados evidenciam que é um preditor direto e positivo da intenção. Os resultados
podem ser justificados pela inexistência de regulamentação, escassez de métricas validadas e
comunicação reduzida sobre a reforma gradual limitam a perceção desta opção como viável.
Em termos teóricos parece interessante incluir na TAP variáveis relacionadas como literacia
relativa ao sistema de pensões e outras alternativas de reforma. Do ponto de vista prático
destacam-se a importância de políticas públicas, programas piloto e comunicações que
aproximem os trabalhadores da reforma gradual. Para investigações futuras sugere-se o
desenvolvimento de métricas adaptadas ao contexto português, estudos longitudinais e uso de
ferramentas digitais e de inteligência artificial para simulação de cenários personalizados de
reforma gradual.
EN
This study aimed to examine how the primary motivational factors of the Theory of
Planned Behavior (TPB; Ajzen, 1991) relate to the intention to engage in gradual retirement,
while also considering the moderating role of the occupational and professional identity. The
sample (n=259) was collected through an online questionnaire and had a mean age of 55.7
years. Analyses included correlations, multiple linear regressions and moderating models.
Contrary to expectations, none of the hypotheses were confirmed: attitude showed a negative
and significant relationship with the intention of gradual retirement, while subjective norms and
perceived behavioral control revealed no significant effects. Occupational and professional
identity did not moderate any of the tested relationships, the findings nonetheless demonstrate
that it constitutes a direct and positive predictor of intention. The results may be explained by
the absence of regulation, the lack of validated measures and the limited communication on
gradual retirement, which reduce the perception of this option as viable. From a theoretical
perspective, it seems relevant to expand TPB by integrating variables related to pension system
literacy and alternative retirement pathways. In practical terms, the importance of public
policies, pilot programs and communication strategies that bring workers closer to gradual
retirement is highlighted. For future research, the development of metrics adapted to the
Portuguese context, longitudinal studies, and the use of digital and artificial intelligence tools
to simulate personalized scenarios of gradual retirement are suggested.