PT
Baseada na abordagem da ideologia dos papéis de género, esta dissertação integra uma
investigação realizada numa perspetiva quantitativa que procurou estudar como é que pessoas
heterossexuais, a viver em casamento ou em união de facto, com ou sem filhos/as,
concretizavam a divisão do trabalho não pago durante a pandemia de Covid-19. Ao mesmo
tempo, pretendeu também verificar se o estado civil e a presença de crianças com idade igual
ou inferior a 15 anos influenciaram a relação entre o sexo dos/as participantes e a divisão do
trabalho não pago, assim como se a ideologia dos papéis de género ajudou a explicar a relação
anteriormente referida.
Foi criado um questionário na plataforma Qualtrics e divulgado nas redes sociais e via e-
mail. Participaram 355 pessoas no estudo, com idades a variarem entre os 20 e os 72 anos (M
= 45.47; DP = 10.78).
Os resultados sugeriram que as mulheres executavam a maioria do trabalho não pago,
dedicando mais horas por semana ao mesmo, comparativamente aos homens. O estado civil e
a presença de crianças com idade igual ou inferior a 15 anos de idade não intensificaram a
relação entre o sexo dos/as participantes e a divisão do trabalho não pago e a ideologia dos
papéis de género não foi responsável por mediar a relação entre o sexo dos/as participantes e a
divisão do trabalho não pago. Assim, a principal conclusão do estudo remete para permanência
das desigualdades entre homens e mulheres na esfera privada.
EN
Based on the gender role ideology approach, this dissertation integrates a quantitative research
that sought to study how heterosexual people living in marriage or in a cohabitation, with or
without children, realized the division of unpaid work during the Covid-19 pandemic. At the
same time, it also sought to verify whether the marital status and the presence of children aged
15 or under influenced the relationship between sex of the participants and the division of
unpaid work as well as whether gender role ideology helped explain the relationship mentioned
above.
A questionnaire was created on the Qualtrics platform and later made public on social
networks and via e-mail. 355 people were enrolled in the study, ranging in age from 20 to 72
years (M = 45.47; SD = 10.78).
The results suggested that women performed most of the unpaid work, devoting more hours
per week to it compared to men. Marital status and the presence of children aged of 15 or under
did not intensity the relationship between sex of the participants and the division of unpaid
work and gender role ideology was not responsible for mediating the relationship between sex
of the participants and the division of unpaid work. Thus, the main conclusion of the study
refers to the permanence of inequalities between men and women in the private sphere.