PT
O presente trabalho introduz uma nova metodologia de análise da desigualdade na
qualidade do emprego, alicerçada num indicador de desigualdade construído a partir da
comparação bilateral entre indivíduos. Esta abordagem permite identificar quais os
principais determinantes deste fenómeno. Com base nos dados do Fourth European
Working Conditions Survey foram construídas duas amostras. A primeira integrando
quatro países do Norte da Europa (Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega) e a segunda
composta por três países do Sul da Europa (Espanha, Grécia e Portugal). Estes dois
grupos exibem um grau significativo de diferenciação, sendo por isso relevante avaliar
como se distinguem em termos de desigualdade em qualidade do emprego.
A análise dos determinantes da desigualdade em qualidade do emprego nestas amostras
permite quatro conclusões: (i) heterogeneidade nos principais determinantes da
desigualdade, com a excepção do sector de actividade que é muito relevante na
generalidade dos países analisados; (ii) tanto as variáveis relacionadas com o
trabalhador como as variáveis relacionadas com a empresa em que ele se insere são
importantes determinantes desta desigualdade; (iii) a desigualdade é mais elevada nos
países do Sul do que nos países do Norte da Europa; (iv) as diferentes dimensões de
qualidade de emprego são importantes para explicar a desigualdade observada em
qualidade do emprego, em particular verifica-se que a desigualdade nessas várias
dimensões está associada a diferentes variáveis explicativas do modelo.
O conhecimento dos principais determinantes da desigualdade da qualidade do emprego
é crucial para definir medidas de política económica que visem a redução dessas
desigualdades.
EN
This paper introduces a new methodology for the analysis of inequality in the job
quality, based on an indicator of inequality build from the bilateral comparison between
individuals. This approach identifies the main determinants of this phenomenon. Based
on the data of the Fourth European Working Conditions Survey two samples were
defined. The first one composed by four countries from Northern Europe (Denmark,
Finland, Sweden and Norway) and the second one by three countries from Southern
Europe (Spain, Greece and Portugal). These two groups show a significant degree of
differentiation and therefore it is relevant to compare them in what concerns with
inequality in job quality.
The analysis of the determinants of inequality in job quality in these samples led to four
main conclusions: (i) heterogeneity of the key determinants of inequality, with the
exception of the activity sector, which is very relevant in almost all of the countries; (ii)
both worker-related variables and firm-related variables are important determinants of
this inequality; (iii) inequality is higher in the Southern than in Northern European
countries; (iv) the different dimensions of job quality are important to explain the
observed inequality.
Knowledge of the main determinants of inequality in the job quality is crucial to set
economic policy measures aimed at reducing these inequalities.