PT
Nas últimas décadas, a valorização do capital humano nas organizações tem reforçado a
importância do bem-estar, da motivação e do desempenho dos trabalhadores. Nesse contexto, a
liderança assume papel central, não apenas na orientação estratégica e operacional das equipas,
mas também na criação de ambientes laborais saudáveis, inclusivos e seguros. Contudo,
práticas de assédio moral, conhecidas como bullying, continuam a afetar negativamente a saúde
mental, o clima organizacional e a coesão interna, estando muitas vezes associadas a estilos de
liderança disfuncionais, permissivos ou ausentes.
Para compreender esta problemática, a esta dissertação adota uma abordagem qualitativa,
centrada na voz dos profissionais. A metodologia baseia-se na realização de entrevistas
semiestruturadas a colaboradores de diferentes setores, analisadas através da análise de
conteúdo. Este desenho metodológico permite captar perceções, experiências e práticas
relacionadas com o papel da liderança na prevenção ou na perpetuação de comportamentos
abusivos no contexto organizacional, tanto em regimes presenciais como em modelos de
trabalho híbridos ou remotos.
Os principais resultados evidenciam quais as competências de liderança que contribuem
para reduzir o risco de bullying, ao promoverem proximidade, diálogo e confiança entre líderes
e equipas. Pelo contrário, competências de lideranças ausentes ou autoritárias tendem a criar
condições propícias ao surgimento de práticas abusivas. A dissertação conclui que o
desenvolvimento de competências adaptativas por parte dos líderes, sobretudo em contextos de
trabalho remoto e híbrido, é essencial para garantir ambientes mais saudáveis, sustentáveis e
centrados nas pessoas.
EN
In recent decades, the increasing recognition of human capital within organizations has
reinforced the importance of employee well-being, motivation, and performance. Within this
context, leadership plays a central role not only in the strategic and operational guidance of
teams but also in fostering healthy, inclusive, and safe work environments. However, moral
harassment practices—commonly known as workplace bullying—continue to negatively affect
mental health, organizational climate, and internal cohesion, often being linked to
dysfunctional, permissive, or absent leadership styles.
To better understand this issue, the present dissertation adopts a qualitative approach
focused on the voices of professionals. The methodology is based on semi-structured interviews
with employees from different sectors, analyzed through content analysis. This design makes it
possible to capture perceptions, experiences, and practices related to the role of leadership in
either preventing or perpetuating abusive behaviors within organizational contexts, across both
face-to-face and hybrid or remote work models.
The main findings highlight the leadership competencies that help reduce the risk of
bullying by promoting proximity, dialogue, and trust between leaders and teams. Conversely,
absent or authoritarian leadership styles tend to create conditions conducive to abusive
practices. The dissertation concludes that developing adaptive leadership skills—particularly in
remote and hybrid work settings—is essential to ensure healthier, more sustainable, and people-
centered workplaces.