PT
Define-se cancro como a multiplicação desregulada de células fora do padrão normal,
resultando na formação de tumores benignos ou malignos (Gomes et al., 2004). Embora menos
frequente na infância, constitui uma das principais causas de mortalidade por doença em
crianças e adolescentes (World Health Organization, s.d.). O presente estudo teve como
objetivo analisar a relação entre os fatores stressores vivenciados por pais e cuidadores de
crianças com cancro e a sua qualidade de vida, bem como explorar o papel das expectativas
parentais nesse processo. Estudar a qualidade de vida destes cuidadores não só identificar o
impacto da doença na família, como também orientar políticas de saúde e práticas clínicas de
apoio (Quittner et al., 2010). A amostra inclui 32 participantes, que responderam a instrumentos
de avaliação da qualidade de vida, fatores stressores e expectativas parentais. Os resultados
revelaram correlações negativas significativas entre fatores stressores e qualidade de vida,
confirmando que níveis mais elevados de stress emocional, familiar e de comunicação se
associam a uma pior perceção de bem-estar. Além disso, as expectativas parentais de aceitação
da doença se correlacionaram positivamente com a qualidade de vida, enquanto as expectativas
de impotência apresentaram correlações negativas. Estes resultados confirmam parcialmente
as hipóteses propostas, evidenciando que o stress parental compromete a qualidade de vida,
enquanto a aceitação da doença surge como um fator protetor. Apesar das limitações associadas
à dimensão reduzida da amostra, o estudo contribui para uma melhor compreensão dos
processos emocionais e cognitivos envolvidos no cuidado de uma criança com cancro.
EN
Cancer is defined as the deregulated multiplication of cells outside the normal pattern, resulting
in the formation of benign or malignant tumors (Gomes et al., 2004). Although less frequent in
childhood, it represents one of the leading causes of disease-related mortality among children
and adolescents (World Health Organization, n.d.). The present study aimed to analyze the
relationship between stressors experienced by parents and caregivers of children with cancer
and their quality of life, as well as to explore the role of parental expectations in this process.
Examining the quality of life of these caregivers not only helps to identify the impact of the
disease on the family, but also guides health policies and clinical practices to provide adequate
support (Quittner et al., 2010). The sample consisted of 32 participants who completed
instruments assessing quality of life, stressors, and parental expectations. Results revealed
significant negative correlations between stressors and quality of life, confirming that higher
levels of emotional, family, and communication stress are associated with poorer perceptions
of well-being. Furthermore, parental expectations of acceptance of the disease were positively
correlated with quality of life, whereas expectations of helplessness showed negative
correlations. These findings partially confirmed the proposed hypotheses, indicating that
parental stress compromises quality of life, while acceptance of the disease emerges as a
protective factor. Despite the limitations associated with the small sample size, the study
contributes to a better understanding of the emotional and cognitive processes involved in
caring for a child with cancer.