PT
O presente estudo tem por objetivo investigar as perspetivas e experiências dos profissionais do contexto de proteção, relativamente à participação das crianças, analisando as suas perspetivas e práticas à luz dos modelos de Lundy (2007) e Bouma et al. (2018). Participaram neste estudo 13 profissionais do contexto de proteção, mais especificamente com exercício de funções em contexto de CPCJ, na região do Algarve. Foi realizada uma análise temática dos dados (Braun & Clarke, 2006) que combinou a utilização de uma abordagem dedutiva, à luz de modelos existentes (i.e., Bouma et al., 2018; Lundy, 2007), e indutiva, para captar temas emergentes. Os resultados obtidos revelam que os profissionais garantindo espaços adaptados, empáticos e seguros (Lundy, 2007). Consideram importante informar as crianças sobre os seus direitos e deveres, mas também sobre o sistema de proteção e sobre o seu próprio processo de promoção e proteção (Bouma et al., 2018). Valorizam a voz da criança e as suas múltiplas formas de expressão, considerando necessário, ao longo de todo o processo, considerar as suas características individuais e a situação sinalizada. Consideram ainda essencial ouvir a criança, bem como ter determinadas competências e atitudes de forma a, enquanto profissional, conseguir assegurar oportunidades de participação significativas. Consideram eficazes estratégias como conhecer as crianças ou promover o diálogo e a escuta ativa. Nestes contextos, e na região estudada, as crianças tendem a ser envolvidas sempre que possível e a sua voz a ter peso nas decisões, embora seja necessário ter em conta o seu superior interesse. Por fim, a especificidade do contexto de proteção, segundo estes profissionais, remete para a importância da promoção da participação não ser um ato isolado, mas sim o resultado de uma ação conjunta de todos os intervenientes e entidades que compõem o meio envolvente da criança, de forma articulada.