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Investigação • 15 fev 2017
Como ser mais ‘amigo do envelhecimento’

Regra básica sobre esta reflexão: todos nós estamos a envelhecer a partir do momento em que nascemos. Não devemos esquecer-nos disto quando olhamos para alguém mais velho, e isso deveria ser suficiente para que o envelhecimento fosse tratado como tema de importância estratégica na organização da nossa sociedade, até mesmo numa perspetiva egoísta, porque na realidade estaremos a pensar no futuro da atual população jovem e ativa. A crescente esperança média de vida e a reivindicação do respeito dos direitos humanos fundamentais deveria fazer com que todos nós, especialmente os decisores políticos, por um lado, e as camadas mais jovens por outro, estivessem sensibilizadas para a problemática das pessoas idosas e do seu papel, ainda determinante, na estrutura social.

A pessoas idosas não são, nem devem, nem podem ser uma ‘carta fora do baralho’, são e devem ser consideradas um grupo populacional cheio de experiência e know how acumulados a ter em linha de conta nos processos de decisão sobre o seu percurso de vida e nas atividades e formas de melhorar a sua qualidade de vida e bem-estar.

O projeto de investigação SIforAGE sobre ‘A inovação social no âmbito do envelhecimento saudável e ativo para uma economia sustentável e em crescimento’, financiado pelo 7º Programa Quadro da Comissão Europeia, produziu Um Livro Branco com recomendações para os decisores com inúmeras ‘Escolhas para uma Sociedade para Todas as Idades’. Este livro, que reflete o trabalho de um conjunto alargado de parceiros europeus, e que inclui a Turquia e o Brasil, reuniu casos de boas práticas recolhidos ‘no terreno’ e traz ao centro do debate as ações e iniciativas a desenvolver para potenciar uma sociedade mais inclusiva das pessoas idosas.

Ao longo de cerca de 130 páginas é demonstrado ao leitor como podem ser modificadas práticas e reforçadas estratégias de melhoria ao nível local, regional e nacional, e até transnacional, de modelos de vida inclusiva de forma a não discriminar as pessoas idosas na sociedade.

São dados vários exemplos como a integração do tema do envelhecimento e do seu processo no sistema de ensino geral; priorizar as temáticas relativas aos serviços de saúde preventivos e de assistência social, bem como do direito a envelhecer com dignidade nas políticas sociais nacionais. Da mesma forma evidencia como é importante, no cenário da solidariedade social redesenhar as relações inter e intra-geracionais. A aposta tem de passar pela sustentabilidade de soluções adotadas investindo em serviços, tecnologias e iniciativas estratégicas. 

É ainda de grande relevo, e isso é sublinhado várias vezes ao longo do Livro que referimos, que a camada mais velha da sociedade deve deixar de ser vista como um fardo e a face do assistencialismo, mas como uma fatia importante de consumidores, com poder de compra e necessidades multidimensionais, olhando o envelhecimento e a longevidade também como conquistas (na medicina, sociais, estruturais e estratégicas a considerar).

«Enquanto a tensão física e a força irão certamente diminuir, a experiência e o bom senso podem melhorar consideravelmente com a idade.»

A abordagem inovadora do envelhecimento coloca a ênfase naquilo que este grupo social pode e tem ainda para oferecer à sociedade, na sua heterogenia, e na importância da sua participação ativa e consentimento informado nas tomadas de decisão política. Bastante atual é igualmente a recomendação de que a idade obrigatória da reforma seja abolida, de acordo com a diretriz do Tribunal de Justiça Europeu, sendo mais valorizadas as capacidades das pessoas do que a sua idade na aptidão para o trabalho. De sublinhar também a necessidade de análises mais sistemáticas e aprofundadas sobre o envelhecimento além daquelas produzidas pela perspetiva da medicina que, apesar de tudo, não considera na sua totalidade o ‘fator humano’ do ser idoso.

O projeto, com objetivos demarcados, produziu uma série de alternativas possíveis para tornar o diálogo entre os diversos interlocutores mais fluído e dinamizar a disseminação de ações e experiências realizadas em micro escala. As plataformas criadas através do SIforAGE estão acessíveis online (informação abaixo) e podem servir de palco para novos projetos e redes de trabalho e partilha de conhecimento de extrema importância para a temática em causa. O envolvimento do grupo-alvo, dos seus representantes, torna o trabalho desenvolvido mais próximo da comunidade e abre uma porta para que as populações em estudo possam ter uma ‘voz ativa’ no seu próprio caminho de vida, na procura da melhoria das suas condições de vida.

Essencialmente, continuar o trabalho, como indicado no Livro Branco, torna-se crucial para o sucesso de mais ações no sentido do ‘envelhecimento saudável e ativo’ e para aumentar a coesão social, cada vez mais premente nas sociedades atuais e que a todos os cidadãos deve preocupar. Em resumo, investir nos idosos será uma espécie de pagamento e obrigação pelo investimento que eles, no passado, fizeram em nós, filhos e netos.

Para conhecer aprofundadamente as ideias e propostas deve visitar a página aqui.

Um Livro Branco com recomendações para os decisores com inúmeras ‘Escolhas para uma Sociedade para Todas as Idades’

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Plataforma de aprendizagem virtual: http://siforage.sociallearningsystem.com/site

Serviço de informações online: www.siforage.eu/contact.php

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