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ISCTE-IUL • 04 mai 2011
Arquitectos reúnem-se no ISCTE-IUL para homenagear Luiz Cunha

Foto: Hugo Cruz / GCI-ISCTE-IUL O arquitecto português Luiz Cunha, professor catedrático do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, jubilado em 2004, será homenageado com uma exposição sobre a sua obra urbanística, arquitectónica, e artística durante o mês de Maio. Além da exposição, está programado um ciclo de conferências no dia 4 de Maio que irá reunir amigos e antigos colegas do arquitecto para abordar a longa e rica carreira de um dos maiores vultos da arquitectura e urbanismo contemporâneos portugueses.

Luiz Cunha decidiu doar o seu espólio (projectos até 2004) ao ISCTE-IUL, onde foi professor catedrático. Uma passagem de testemunho, que enquanto professor de Desenho Urbano e Arquitectura do Departamento de Arquitectura e Urbanismo do ISCTE-IUL, deixará uma marca nos seus alunos de mestrado e da licenciatura de 1995 a 2004 e no ISCTE-IUL.

A 4 Maio inicia-se a primeira de três conferências, que terá lugar, às 10h00, no grande auditório do ISCTE-IUL e que irá centrar-se na “Arquitectura, o Urbanismo e a Igreja”. O evento contará com a participação dos arquitectos Nuno Portas, Diogo L. Pimental e do homenageado Luiz Cunha. No mesmo dia decorre às 15h00 a conferência “Arquitectura, o Desenho e os Homens”, cujo oradores convidados são: Álvaro Siza Vieira, Alcino Soutinho, Carvalho Dias e Luiz Cunha. 

A conferência subordinada ao tema “Arquitectura, a Arte e a Construção” que reunirá pintores, escultores, críticos e arquitectos e engenheiros, entre os quais: Querubim Lapa, Clara de Meneres, João Charters de Almeida, Alexandre Pomar, Armando Faria, A. Sá Machado e João de Almeida, decorre a 5 de Maio, às 17h00, no Auditório B104, do edifício II do ISCTE-IUL. 

Sobre Luiz Cunha | 57 anos de carreira de um dos mais importantes mestres da arquitectura, urbanismo, desenho, pintura e escultura em Portugal.

Luiz Cunha nasceu no Porto a 14 de Abril de 1933. Licenciou-se pela Escola Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP) em 1957, com a classificação de 20 valores. A sua formação na Escola do Porto foi como aluno dos arquitectos-artistas Carlos Ramos, Fernando Távora, José Carlos Loureiro e Agostinho Ricca. Dordio Gomes e Heitor Cramez foram seus professores de Desenho e Aarão de Lacerda de História de Arte. Entre os seus colegas de curso destacam-se os arquitectos Álvaro Siza Vieira, Alcino Soutinho, Pádua Ramos, João T. Korrodi, Carvalho Dias e Marques Aguiar.

Luiz Cunha toma parte activa do Movimento de Renovação da Arquitectura Religiosa (MRAR) fundado em 1952 liderado pelo arquitecto Nuno Teotónio Pereira. Em 1954 faz parte da coordenação de uma exposição de trabalhos da ESBAP onde fazem parte painéis deste movimento de arquitectos, pintores escultores e historiadores, como Nuno Portas.

Luiz Cunha é convidado para leccionar a cadeira de Urbanismo na ESBAP em 57 mas opta pelo convite do Urbanista Robert Auzelle para estagiar no Gabinete de Urbanização da Câmara Municipal do Porto, permanecendo aí até 1966. Realizou inúmeros trabalhos de Arquitectura e Urbanismo, onde se destacam alguns projectos como o Jardim do Ouro, a Praça da Trindade, as passagens subterrâneas de peões na Praça da Liberdade (obra pioneira), como a sua importante participação no 1º Plano Director da Cidade (1961).

O arquitecto portuense sempre revelou muito interesse pela arquitectura Portuguesa antiga e tradicional aliada à dos mestres contemporâneos europeus. Uma relação harmónica entre o Moderno e o Tradicional e um contraponto entre o Internacional com a contextualização regional. 

No princípio a sua obra revela-se moderna e regionalista nos anos 50/60. Passa por uma fase mais brutalista nos anos 70, tornando-se de imediato contextualista, e ou, Pós-Modernista do início dos anos 80 até aos anos 90. No virar do séc. XX revela a sua contemporaneidade, isto é, nunca segue uma única linguagem, tão próprio destes anos em que a variedade de posturas arquitectónicas coexiste. Esta é uma constante muito própria mas sempre coerente de Luiz Cunha, ao longo de toda a sua vida profissional. Em todas as suas obras a importância dos contextos, as linhas da tradição, o desenho e sobretudo a importância de uma visão global, são constantes aliadas a uma liberdade artística, na opção e pragmatismo do processo da arquitectura e da construção, transformando Luiz Cunha num Arquitecto contemporâneo raro no contexto nacional e global.

Luiz Cunha arquitecto-artista profundamente ecléctico tem um percurso na Arquitectura Portuguesa ímpar e coerente, romântico, interventor expressionista, projecta e executa desde o início da segunda metade do séc. XX em Portugal com uma forma e espiritualidade única, marcando expressivamente a arquitectura Portuguesa. Torna-se necessário e urgente neste contexto social arquitectónico em que vivemos, uma leitura abrangente, da sua significativa e desconhecida obra.

Programa
4 de Maio de 2011
Auditório B104, Edifício II, ISCTE-IUL 

10:00Abertura da Sessão pelo Reitor
Assinatura de um protocolo entre o ISCTE-IUL e o Arquitecto Luiz Cunha

10:30 - Colóquio “A Arquitectura, o Urbanismo e a Igreja”
Arquitectos Nuno Portas, Diogo Lino Pimentel e Luiz Cunha

15:00 - “O Desenho, a Arquitectura e os Homens”
Arquitectos Álvaro Siza Vieira, Alcino Soutinho, Carlos Carvalho Dias e Luiz Cunha

18:00 - Inauguração da Exposição LUIZ CUNHA, ARQUITECTURA & ARTES PLÁSTICAS 1957/2011
Sala de Exposições no Edifício II do ISCTE-IUL.

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