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Investigação

Projeto europeu FAMA aposta em cidadãos críticos para combater a desinformação

2026-05-28

Ir além da verificação de factos

"A desinformação é um fenómeno social, cultural e tecnológico muito mais complexo", afirma Tiago Lapa, professor e investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte) e coordenador do projeto em Portugal. Num ecossistema digital marcado pela abundância de informação, algoritmos e inteligência artificial, combater a desinformação exige mais do que verificar factos.

É com esta premissa que o projeto europeu FAMA "Empoderando Cidadãos Informados | Empoderando Democracias Europeias" chegou a Portugal, com uma primeira ação de formação realizada nos dias 27 e 28 de maio, no Iscte – Instituto Universitário de Lisboa. O FAMA, financiado pela União Europeia, aposta por isso em metodologias participativas como painéis de cidadãos, workshops e ações de formação, para que os cidadãos compreendam não só como identificar conteúdos falsos, mas também os mecanismos sociais, emocionais e algorítmicos que sustentam a circulação da desinformação.

Três países, contextos distintos, desafio comum

O consórcio reúne seis instituições de Portugal, Itália e Grécia. Tiago Lapa sublinha que, apesar de partilharem desafios comuns, "existem diferenças relevantes entre os três países, relacionadas com contextos políticos, níveis de confiança institucional e dinâmicas culturais específicas". Portugal, detalha, "enfrenta baixos níveis de literacia mediática, em particular nos séniores, e forte dependência das redes sociais entre os jovens", enquanto em Itália "o ecossistema mediático é historicamente marcado por polarização" e a Grécia "apresenta vulnerabilidades associadas à desconfiança institucional e aos efeitos da crise económica".

Formação aberta a todos os públicos

As sessões foram pensadas para estudantes, profissionais, educadores e cidadãos em geral. O projeto parte do princípio de que não existe uma abordagem única eficaz para todos. "Queremos que as nossas sessões funcionem também como espaços de escuta e aprendizagem, permitindo perceber melhor quais os formatos e estratégias mais adequados para promover pensamento crítico e participação cívica", explica Tiago Lapa. As formações contaram com profissionais de referência na área do jornalismo e da literacia mediática.

Saiba mais sobre o projeto FAMA.