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Três em cada quatro jovens rurais europeus não quer sair do interior. Num tempo em que o êxodo parece inevitável, um novo estudo contraria a narrativa dominante. "Normalmente, esses eram os que manifestavam maior vontade de sair, e o relatório mostra o oposto", diz Francisco Simões, investigador do Centro de Investigação e Intervenção Social (CIS-Iscte).
A conclusão consta do relatório "Here to stay? The transitions of rural youth before and after the Covid-19 pandemic", coordenado cientificamente por Francisco Simões e elaborado em parceria entre o Conselho da Europa e a Comissão Europeia.
O estudo analisou a transição para a vida adulta de jovens rurais com idades entre os 18 e os 30 anos em 14 países europeus, entre 2019 e 2023. Entre os mais de 2.500 participantes, na sua maioria com nível educativo elevado, 76% manifestaram vontade de permanecer nos seus territórios de origem.
Para o investigador, a razão é concreta: "O aumento exponencial dos custos de vida nas zonas urbanas, sobretudo de habitação. Neste momento, a permanência é considerada mais viável".
A vontade de ficar não é, contudo, incondicional. "É fundamental que a União Europeia crie condições para que os jovens possam fixar-se nos seus territórios de origem, sem serem forçados a emigrar por falta de oportunidades", defende o investigador, sublinhando a necessidade de investimento em transportes, emprego e participação cívica.
O relatório é apresentado como um contributo para o debate europeu sobre o direito a ficar, um dos eixos prioritários da política da Comissão Europeia, e pode ser consultado aqui.