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“Fiquei muito feliz e muito entusiasmada com esta oportunidade”, reage Filipa Martins, estudante de mestrado em Ciência de Dados no Iscte, ao conquistar um lugar na Forbes Portugal 30 Under 30 Classe 2026, na categoria de Ciência e Educação.
A distinção reconhece um percurso que junta investigação sobre desigualdades sociais a mais de uma década de participação cívica, que passou pelo Programa Jovem Autarca e por fóruns de discussão de políticas públicas a nível nacional e internacional. Filipa nasceu na Lomba, uma pequena localidade do concelho de Gondomar isolada do resto do concelho pelo rio, o que a obrigava a percorrer outro distrito para chegar à escola. Foi essa experiência que a aproximou cedo das questões de mobilidade social.
É esse percurso que a Forbes reconhece agora. “Estar aqui é um voto de confiança, na medida em que é um caminho que estou a começar a percorrer”, diz Filipa. Fascinada desde cedo pela educação e pelas políticas públicas, tem vindo a aprofundar essa investigação, um trabalho que começou no mestrado e se tem prolongado no tempo.
No centro desse percurso está a dissertação de mestrado, que desenvolve em colaboração com o Banco de Portugal. O trabalho estuda os fatores que influenciam o desempenho dos alunos portugueses em literacia financeira, com base em dados do PISA de 2022. Filipa procura perceber que mecanismos pesam mais nesse desempenho. “Estamos a tentar perceber o que é que influencia mais. São as escolas? São as famílias? Que mecanismos é que nós temos para combater isso?”, questiona.
Esse rigor académico já tinha sido reconhecido antes. O Banco de Portugal atribuiu-lhe o Prémio Professor Jacinto Nunes de melhor aluna da licenciatura em Economia. Mais recentemente, foi também premiada como a melhor aluna da parte curricular do mestrado que frequenta no Iscte.
Esse mesmo impulso de perceber e combater desigualdades já a tinha levado a criar, em 2022, o Simplifica, um podcast de literacia económica e política. Com episódios curtos e expositivos, o projeto chegou a dar origem a workshops em escolas, levando a discussão sobre literacia financeira além do formato áudio.
Filipa quer continuar a expandir esse impacto: “Gosto de sentir que posso ser uma voz e que posso ajudar pessoas que estão a sofrer algumas das dificuldades que eu também senti”, conclui.