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O Laboratório de Estudos Sociais sobre o Nascimento (nascer.pt) realizou esta semana, dia 24 de junho, no Iscte, o seu primeiro fórum com a apresentação de dados do projeto internacional IPOV – Respectful Care (International Platform on Obstetric violence)no qual participam investigadores portugueses.
Patrizia Quattrocchi, investigadora e antropóloga da Universidade de Udine, fez uma resenha de três décadas de agendas políticas internacionais em torno da violência obstétrica (VO) e do nascimento. A investigadora explicou que o IPOV é também uma plataforma digital acessível a qualquer pessoa, que recebe depoimentos mas também apresenta materiais informativos e formativos de diversas origens e natureza, úteis para quem investigar a problemática da V.O. a nível europeu ou internacional.
Após a intervenção da keynote, seguiu-se o painel “Ciência, Corpos e Autonomia: olhares sobre o nascimento” onde se apresentaram estudos e questões em torno do ato de nascer. Catarina Delaunay (CICS.NOVA) traçou um retrato da aplicação da PMA no “corpo feminino intervencionado”, contextualizando a materialidade biológica e críticas dos estudos feministas.
Mário Santos (RISE-Health - IPSantarém) apresentou a sua reflexão empírica sobre a intervenção profissional na assistência ao parto, questionando se os hospitais não estarão a ser, nessa função, não-lugares. Existe nos partos uma “gestão permanente da violência com acordos tácitos”, diz, sugerindo que “a normalização do hospital como lugar para se parir deve ser questionada pelas ciências sociais”.
Por último, Sónia Pintassilgo, professora e investigadora do Iscte, especialista em demografia e população, fez uma intervenção repleta de dados quantitativos. Em 2024 o índice de fecundidade por mulher, em Portugal, situava-se nos 1.4, sendo que o o nível etário predominante de quem "dá à luz" anda nos 30-34 anos, havendo mais de 8% de partos após os 40 anos da gestante. Recordou que o decréscimo da população portuguesa é um movimento que radica nos anos 1960, com a emigração e com a introdução dos contracetivos, e que hoje se assiste a um movimento no sentido inverso. Um quarto dos nascimentos em 2024 em Portugal, devem-se à população estrangeira residente - embora pouco se fale deste contributo. A sua intervenção encerrou com a nota de que importa ler “natalidade como fenómeno político e fecundidade como fenómeno social”.
Na segunda metade do dia, o fórum - que terá reunido mais de meia centena de participantes -, dedicou-se às oficinas metodológicas e à mostra de posters.