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"O legado do IN-Iscte não se esgota nos recursos pedagógicos e relacionais", resume Rosário Mauritti, coordenadora do projeto, professora e investigadora do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES-Iscte). Três anos a construir um Iscte mais inclusivo, o projeto partiu de uma missão clara: criar um espaço onde cada estudante é reconhecido na sua individualidade e encontra resposta às suas necessidades.
Cada estudante que chega ao ensino superior traz percursos, experiências e capitais culturais cada vez mais diversos. Estar atento a esta realidade foi o ponto de partida. "Dar protagonismo ao estudante significa estar atento às eventuais dificuldades e dar-lhe espaço para identificar os próprios obstáculos", afirma Mariana Roque Ferreira, coordenadora executiva do projeto. Para isso, o projeto recusou uma definição única de sucesso. "Cada estudante tem o seu percurso", acrescenta.
O projeto desenvolveu cinco eixos de intervenção: acolhimento, inovação pedagógica, mentoria, trabalho em equipa e alarmística. Este último criou um mecanismo de alerta precoce para estudantes em risco de abandono. O Espaço Estudante tornou-se a porta de entrada para quem precisou de ajuda. "Serve como ponto de sinalização de alguns casos", refere Mariana Roque Ferreira, concentrando os serviços de apoio num só lugar.
Três anos depois, o projeto encerra com um legado que se prolonga. "Fica um testemunho muito digno daquilo que esta experiência foi, para que possa inspirar e reproduzir-se no futuro", conclui Rosário Mauritti.
O seminário final contou com a presença de João Costa, ex-ministro da Educação e diretor da European Agency for Special Needs and Inclusive Education, como orador convidado. Na sua perspetiva, o projeto é modelar: "chega a todos, de forma integrada, com apoio psicológico, práticas de inclusão e desenvolvimento de competências transversais."
A experiência vai ser documentada numa publicação que reúne diferentes vozes, desde investigadores a técnicos e estudantes.
A edição atual do projeto, incluído no Programa de Promoção de Sucesso e Redução de Abandono no Ensino Superior, foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).