PT
A literatura sobre os efeitos dos maus-tratos expandiu-se de forma considerável nos últimos
anos, apontando para associações entre as experiências adversas cumulativas e múltiplos
resultados negativos no funcionamento dos seus sobreviventes, incluindo na parentalidade
(Felitti et al., 1998; Savage et al., 2019; Sheffler et al., 2020). Com este estudo, pretendeu-se
explorar as relações entre o mau-trato cumulativo e a autorregulação parental em mães e pais,
e testar o papel moderador da vivência (ou não) em acolhimento residencial na associação atrás
descrita. A amostra incluiu dois grupos: 52 pais com uma história prévia de acolhimento
residencial e 194 pais nunca acolhidos. Os pais tinham entre os 21 e os 55 anos de idade e
tinham, pelo menos, um filho(a) entre um e 15 anos de idade. De acordo com os resultados, os
pais ex-acolhidos reportaram ter estado expostos a um maior número de adversidades do que
os pais nunca acolhidos. A idade dos pais e a idade da criança revelaram estar positiva e
significativamente associados à autorregulação parental. O mau-trato cumulativo revelou ser
um preditor significativo da gestão pessoal, uma dimensão da autorregulação parental, mas
apenas entre os pais nunca acolhidos. Os resultados deste estudo alertam para a importância da
implementação de programas de intervenção que visem o desenvolvimento da competência de
autorregulação parental junto de pais e mães com histórias de mau-trato precoce.