PT
Esta dissertação investiga a intersecção entre redução de danos, cuidado e experiências queer
em Lisboa, examinando como as práticas de redução de danos se entrelaçam com o cuidado
coletivo dentro das comunidades queer. Apesar da pioneira descriminalização de drogas em
Portugal desde 2001, a investigação sobre experiências LGBTQIA+ dentro deste
enquadramento permanece limitada, criando lacunas na compreensão de como políticas
progressivas de drogas se intersectam com experiências de minorias sexuais e de género. O
estudo aborda três preocupações principais: taxas desproporcionalmente elevadas de uso de
substâncias entre populações LGBTQIA+ que permanecem subatendidas pelos serviços
convencionais; pressupostos heteronormativos na paisagem portuguesa de redução de danos; e
o aumento de práticas de chemsex que requerem respostas culturalmente específicas. A
investigação contribui para debates teóricos sobre organização do cuidado, mediação de ONGs
entre estado e necessidades comunitárias, e adaptação profissional para servir populações
estigmatizadas.
Baseando-se em estudos críticos de drogas, estudos feministas de ciência e tecnologia, e teoria
queer, esta investigação desafia enquadramentos centrados no risco e modelos de stress
minoritário que patologizam o uso de substâncias queer. Examina como as substâncias
funcionam como “tecnologias do eu” que possibilitam formação identitária e construção
comunitária, recorrendo aos conceitos de “saúde contrapública” e “alegria queer” como
alternativas a narrativas centradas no trauma. Utilizando metodologia qualitativa com
entrevistas em profundidade a doze participantes, o estudo emprega análise temática reflexiva
examinando perspetivas institucionais e de base. A investigação revela como comunidades
queer criam práticas de cuidado contra-hegemónicas que desafiam paradigmas dominantes
enquanto negoceiam políticas progressivas portuguesas. Os resultados contribuem para a
compreensão da resiliência comunitária, sociologia do cuidado, e como grupos marginalizados
criam sistemas de apoio coletivo, oferecendo perspetivas sobre reprodução social, resistência,
e limites do bem-estar estatal.
EN
This dissertation examines the intersection of harm reduction, care, and queer experiences in
Lisbon, exploring how harm reduction practices become intertwined with collective care within
queer communities. Despite Portugal’s pioneering drug decriminalisation since 2001, research
on LGBTQIA+ experiences within this framework remains limited, creating gaps in
understanding how progressive drug policy intersects with sexual and gender minority
experiences. The study addresses three key concerns: disproportionately higher substance use
rates among LGBTQIA+ populations who remain underserved by mainstream services;
heteronormative assumptions within Portugal’s harm reduction landscape; and the rise of
chemsex practices requiring culturally specific responses. The research contributes to
theoretical debates about care organisation, NGO mediation between state and community
needs, and professional adaptation to serve stigmatised populations.
Building on critical drug scholarship, feminist science and technology studies, and queer theory,
this research challenges risk-centred frameworks and minority stress models that pathologise
queer substance use. Instead, it examines how substances function as “technologies of the self”
enabling identity formation and community building, drawing on “counterpublic health” and
“queer joy” concepts as alternatives to trauma-centred narratives. Using a qualitative
methodology with in-depth interviews of twelve participants, the study employs reflexive
thematic analysis to examine both institutional and grassroots perspectives. The research
reveals how queer communities create counter-hegemonic care practices that challenge
dominant paradigms while negotiating Portugal’s progressive policies. Findings contribute to
the understanding of community resilience, the sociology of care, and how marginalised groups
create collective support systems, offering insights into social reproduction, resistance, and the
limits of state welfare.