PT
Desde o movimento #ShiftThePower até à “trust-based philanthropy”, práticas alternativas que
visam abordar as relações de poder na filantropia têm-se tornado cada vez mais comuns
desde a década de 2010. Simultaneamente, multiplicaram-se por toda a Europa fundações
que adotam estruturas mais horizontais, modelos de tomada de decisão participativos e que
articulam uma crítica aos sistemas sociais, económicos e políticos que perpetuam
desigualdades. Estas fundações dão prioridade ao apoio a movimentos sociais de base sub-
financiados, que trabalham em prol de mudança sistémica e do “combate ao financiamento
neocolonialista”. Através da sua crítica ao capitalismo, colonialismo e a outros sistemas de
opressão, bem como à sua estrutura interna e práticas de financiamento, as fundações
radicais propõem-se a contrariar as dinâmicas do desenvolvimento. Se a filantropia radical é
crítica em relação ao desenvolvimento, o que está a dizer? E o que está a fazer de diferente?
Esta investigação tem como objetivo mapear os principais atores, tendências e práticas da
filantropia radical europeia, fornecer uma caracterização preliminar do fenómeno e explorar
as perspetivas dos beneficiários sobre as suas relações com financiadores radicais. Assim, o
estudo utiliza uma combinação de métodos qualitativos indutivos e dedutivos para caracterizar
nove fundações radicais europeias selecionadas através da rede EDGE Funders Alliance,
baseada em relatórios anuais, websites e blogs das fundações; além disso, analisa catorze
entrevistas semiestruturadas realizadas com organizações beneficiárias das fundações
selecionadas. Os dados revelam que, embora ainda existam tensões no modelo das
fundações radicais, as relações entre financiadores e beneficiários tendem a ser mais
próximas e honestas devido ao estatuto que as fundações radicais assumem e que Susan
Ostrander chamou de “movement insiders”. Argumenta-se ainda que a filantropia radical,
através da sua narrativa e práticas, apoia alternativas pluriversais ao desenvolvimento.
EN
From #ShiftThePower to trust-based philanthropy, alternative practices that aim to address
power relations in philanthropy have become increasingly widespread since the 2010s.
Simultaneously, foundations adopting more horizontal structures, participatory decision-
making models and articulating a critique of social, economic and political systems
perpetuating inequality, have multiplied across Europe. These foundations prioritize supporting
underfunded grassroots social movements working towards systemic change and “countering
neocolonialist giving”. Through their criticism of capitalism, colonialism and other systems of
oppression, as well as its internal structure and grantmaking practices, radical foundations
propose to counter development dynamics. If radical philanthropy is critical of development,
what is it saying? And what is it doing differently? This research aims to begin to map out key
actors, trends and practices in European radical philanthropy, provide a preliminary
characterization of the phenomenon and explore grantees’ perspectives on their relationships
with radical funders. Thus, the study uses a mix of inductive and deductive qualitative methods
to characterize nine European radical foundations selected from the EDGE Funders Alliance
network, drawing from foundations’ annual reports, websites and blogs; in addition, it analyzes
fourteen semi-structured interviews conducted with grantee organizations from the selected
foundation sample. The data reveals that while there are still tensions in the radical foundation
model, funder-grantee relationships tend to be closer and more honest due to the foundations’
status as what Susan Ostrander has called “movement insiders”. It is also argued that radical
philanthropy, through its narrative and practices, supports pluriversal alternatives to
development.