PT
O presente trabalho analisa a inter-relação entre ergonomia, saúde psicológica e inteligência
artificial no contexto do teletrabalho, adotando uma perspectiva interdisciplinar e comparativa
entre Brasil e Portugal. A pesquisa parte da constatação de que a expansão do trabalho
remoto, acelerada pela pandemia de COVID-19, trouxe benefícios relacionados à
flexibilidade e produtividade, mas também intensificou riscos ergonômicos e psicossociais,
como distúrbios musculoesqueléticos, estresse, isolamento social e burnout. Nesse cenário, a
inteligência artificial surge como ferramenta ambivalente: capaz de auxiliar na prevenção de
riscos e na promoção do bem-estar, mas também de intensificar a vigilância e comprometer a
privacidade. A investigação utiliza revisão bibliográfica e análise documental das legislações
nacionais e europeias, abordando as lacunas jurídicas e as práticas organizacionais ligadas à
saúde e segurança no teletrabalho. São discutidas as implicações da cultura organizacional, a
efetividade das normas existentes e os limites éticos do uso da tecnologia no ambiente laboral.
Como contribuição, o estudo propõe diretrizes para a construção de políticas públicas e
práticas empresariais voltadas à ergonomia, ao suporte psicológico e ao uso responsável da
inteligência artificial, visando ambientes de teletrabalho mais saudáveis e sustentáveis. Os
resultados apontam para a necessidade de um modelo regulatório mais robusto, aliado ao
fortalecimento da cultura organizacional e ao equilíbrio entre inovação tecnológica e
dignidade laboral.
EN
This dissertation examines the interrelation between ergonomics, psychological health, and
artificial intelligence in the context of telework, adopting an interdisciplinary and comparative
approach between Brazil and Portugal. The study recognizes that the expansion of remote
work, accelerated by the COVID-19 pandemic, has generated benefits in terms of flexibility
and productivity but has also intensified ergonomic and psychosocial risks, such as
musculoskeletal disorders, stress, social isolation, and burnout. In this scenario, artificial
intelligence emerges as an ambivalent tool: while it can support risk prevention and promote
workers’ well-being, it can also reinforce surveillance and compromise privacy. The research
is based on a systematic literature review and documentary analysis of national and European
legislation, focusing on legal gaps and organizational practices related to occupational health
and safety in telework. The dissertation discusses the role of organizational culture, the
effectiveness of current regulations, and the ethical boundaries of technology use in the
workplace. As a contribution, it proposes guidelines for the development of public policies
and corporate practices oriented toward ergonomics, psychological support, and the
responsible use of artificial intelligence, aiming to build healthier and more sustainable
remote work environments. The findings highlight the need for a more robust regulatory
model, combined with organizational culture strengthening and a balance between
technological innovation and labor dignity.