PT
A presente dissertação teve como objetivo identificar as prioridades das crianças relativamente
à participação nos seus contextos educativos (jardim de infância e 1.º ciclo), bem como explorar
as experiências de participação no contexto de um projeto de investigação. O projeto está
ancorado nos princípios da Convenção dos Direitos das Crianças (Nações Unidas, 1989) e
adotou uma abordagem qualitativa e participativa. A recolha de dados incluiu o uso de
observação e grupos de discussão bem como as ferramentas da abordagem mosaico (Clark &
Moss, 2011) para o envolvimento das crianças. Os resultados indicam que as crianças
experienciam os seus direitos de participação primariamente através de escolhas individuais.
Estas parecem ser guiadas pelas preferências das crianças, algo que sugere que estas devem ser
entendidas como formas válidas de comunicação e participação, mesmo que não expressadas
verbalmente. As crianças consideraram o brincar como a atividade através da qual experienciam
maior grau de participação. Além disso, as crianças do jardim de infância referiram restrições
à participação relacionadas com os espaços a que podem aceder, enquanto as crianças do 1.º
ciclo mencionaram regras relacionadas com a disciplina e a gestão de comportamento. Esta
dissertação contribui para o campo da investigação participativa ao ilustrar complexidades no
desenho de estudos com base em princípios éticos e adequados ao desenvolvimento das
crianças.
EN
This dissertation aimed to identify children's perspectives regarding participation in their
educational contexts (kindergarten and primary school), as well as explore the participation
experiences within the context of a research project. The project is anchored in the principles
of the Convention on the Rights of the Child (United Nations, 1989) and adopted a qualitative
and participatory approach. Data collection included the use of observation and focus groups,
as well as the tools from the mosaic approach (Clark & Moss, 2011) for child engagement. The
results show that children experience their rights to participate primarily through individual
choices. These seem to be guided by children's preferences, suggesting that these should be
understood as valid forms of communication and participation, even if not verbally expressed.
Children considered play as the activity through which they experience the greatest degree of
participation. Furthermore, kindergarten children reported restrictions on participation related
to the spaces they could access, while primary school children mentioned rules related to
discipline and behavior management. This dissertation contributes to the field of participatory
research by illustrating the complexities in designing studies based on ethical principles that are
appropriate for child development.