PT
Esta dissertação centra-se na redefinição da cidadania através da lente dos atos de cidadania,
examinando as experiências de cidadãos russos que deixaram o país após a invasão em grande
escala da Ucrânia pela Rússia em 2022. Afastando-se das abordagens tradicionais que
entendem a cidadania principalmente como estatuto jurídico e conjunto de direitos, este estudo
considera a cidadania como um conjunto de práticas e ações através das quais os indivíduos
expressam identidade, responsabilidade moral e posicionamento político. Com base no
enquadramento teórico de Isin e Nielsen (2008), a dissertação investiga se a decisão de emigrar
pode ser interpretada como um ato de cidadania de natureza política, ética e estética. Recorre
a uma abordagem construtivista e a entrevistas fenomenologicamente orientadas e em
profundidade, explorando de que forma as decisões dos participantes de deixar a Rússia foram
moldadas pela repressão política, pela oposição moral à guerra e por preocupações de
segurança pessoal. Os resultados demonstram que, embora muitos participantes inicialmente
tenham enquadrado a sua partida como uma escolha privada ou pragmática, o próprio ato
manifesta uma posição política ao desafiar as ações do Estado, uma dimensão ética ao
responder a imperativos morais, e uma dimensão estética ao reformular narrativas e influenciar
perceções na sociedade de acolhimento. Outros atos, como participar em manifestações contra
a guerra, vender propriedades, procurar uma nova cidadania e apoiar familiares na Ucrânia,
ilustram ainda mais a natureza multidimensional dos atos de cidadania. A dissertação destaca
como os atos de cidadania podem ocorrer para além das fronteiras do Estado-nação,
sublinhando os aspetos espaciais e performativos da cidadania. Contribui para a literatura sobre
cidadania ao demonstrar que ações, mesmo quando enquadradas como pessoais ou
pragmáticas, podem ter um significado político, ético e estético profundo.
EN
This dissertation focuses on the redefinition of citizenship through the lens of acts of
citizenship, examining the experiences of Russian citizens who left the country following
Russia’s full-scale invasion of Ukraine in 2022. Departing from traditional approaches that
view citizenship primarily as legal status and rights, this study considers citizenship as a set of
practices and actions through which individuals express identity, moral responsibility, and
political stance. Drawing on the theoretical framework of Isin and Nielsen (2008), the
dissertation investigates whether the decision to emigrate can be interpreted as a political,
ethical, and aesthetic act of citizenship. Using a constructivist approach and
phenomenologically-based, in-depth interviews, the study explores how participants’ decisions
to leave Russia were shaped by political repression, moral opposition to the war, and personal
security concerns. The findings demonstrate that, although many participants initially framed
their departure as a private or pragmatic choice, the act itself manifests a political stance by
challenging state actions, an ethical dimension by responding to moral imperatives, and an
aesthetic dimension by reshaping narratives and influencing perceptions in the host society.
Other acts, such as participating in anti-war demonstrations, selling property, seeking new
citizenship, and supporting relatives in Ukraine, further illustrate the multidimensional nature
of acts of citizenship. The dissertation highlights how acts of citizenship can occur beyond the
borders of the nation-state, emphasizing the spatial and performative aspects of citizenship. It
contributes to scholarship on citizenship by demonstrating that actions, even when framed as
personal or pragmatic, can have profound political, ethical, and aesthetic significance.