PT
O Triângulo Norte da América Central — El Salvador, Guatemala e Honduras
— caracteriza-se por partilhar várias características, incluindo elevados níveis
de migração internacional para os Estados Unidos e fluxos significativos de
remessas, que representam entre 15% e 25% do PIB destes países. Este estudo
analisa o impacto das remessas no crescimento económico do Triângulo Norte
no período de 2003 a 2024. Utilizando um modelo econométrico de dados em
painel com efeitos fixos, adaptado de Meyer e Shera (2017), a análise explora a
relação entre remessas e crescimento do PIB per capita, controlando variáveischave
como investimento, consumo, educação e abertura comercial.
Os resultados revelam um panorama complexo e heterogéneo. Embora as
remessas tenham um efeito ligeiramente negativo sobre o crescimento
económico global da região, o consumo das famílias surge como o principal
motor de crescimento. Isto indica que as remessas exercem principalmente um
efeito indireto, estimulando a procura agregada através do aumento do
consumo. Ao nível de cada país, o impacto das remessas varia
consideravelmente: El Salvador apresenta um efeito positivo, enquanto
Guatemala e Honduras mostram efeitos negativos. Esta variação evidencia a
importância das estruturas económicas nacionais e dos ambientes de política na
forma como as remessas influenciam o crescimento. O estudo conclui que,
embora os fluxos de remessas sejam cruciais para a estabilidade e o consumo
das famílias, não impulsionam diretamente o investimento produtivo nem o
crescimento económico a longo prazo na região. Estes resultados sublinham a
necessidade de políticas específicas por país que canalizem as remessas para
investimentos produtivos e de estratégias de cooperação internacional que
promovam o desenvolvimento económico estrutural para além das simples
transferências financeiras.
EN
The Northern Triangle of Central America—El Salvador, Guatemala, and
Honduras—is characterized by shared features, including high levels of
international migration to the United States and significant inflows of
remittances, which account for between 15% and 25% of GDP in these
countries. This study examines the impact of remittances on economic growth
in the Northern Triangle from 2003 to 2024. Using a panel data econometric
model with fixed effects, adapted from Meyer and Shera (2017), the analysis
explores the relationship between remittances and per capita GDP growth while
controlling for key variables such as investment, consumption, education, and
trade openness.
The findings reveal a complex and heterogeneous picture. Although remittances
have a slightly negative effect on overall economic growth in the region,
household consumption emerges as the most significant driver of growth. This
indicates that remittances primarily exert an indirect effect, stimulating
aggregate demand through increased consumption. At the country level, the
impact of remittances varies considerably: El Salvador shows a positive effect,
while Guatemala and Honduras exhibit negative effects. This variation
underscores the importance of national economic structures and policy
environments in shaping how remittances influence growth. The study
concludes that, while remittance flows are crucial for household stability and
consumption, they do not directly drive productive investment or long-term
growth in the region. These results emphasize the need for country-specific
policies that channel remittances into productive investments and for
international cooperation strategies that promote structural economic
development beyond financial transfers alone.