PT
Este estudo tem como objectivo contribuir para a compreensão dos aspectos sóciopsicológicos
que influenciam a utilização dos smart meters – novos contadores de
electricidade considerados instrumentais para alcançar reduções substanciais no consumo
energético e, assim, contribuir para mitigar os impactos das alterações climáticas, ajudando
simultaneamente a reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. Ao fornecerem ao
consumidor feedback directo - informação detalhada e em tempo real sobre os consumos - os
smart meters permitirão aos consumidores assumir um papel activo, monitorizando os seus
gastos e alterando as suas rotinas de consumo. Contudo, até à data ainda se sabe muito pouco
sobre a aceitação e utilização desta tecnologia. Para enquadrar esta problemática são
utilizadas propostas da Teoria da Acção Reflectida, do Modelo da Aceitação da Tecnologia e
outros factores sugeridos na literatura. Um primeiro estudo quantitativo, com uma amostra de
515 actuais utilizadores de smart meters em contexto doméstico, demonstrou que a norma
subjectiva, a utilidade percebida, a percepção de risco e de justiça processual, bem como o
tempo de utilização, determinam o comportamento de utilização destes smart meters. Num
segundo estudo, de cariz qualitativo, a análise dos discursos de uma amostra de blogs sobre
smart meters permitiu corroborar a importância de alguns destes aspectos e sugeriu ainda
outros factores – percepção de injustiça distributiva, percepção de riscos de saúde e de perda
de controlo, entre outros – que podem influenciar a utilização destes novos contadores. No
final são discutidas as implicações destes resultados e algumas recomendações para o futuro.
EN
The purpose of this study is to contribute to a better understanding of the socio-psychological
aspects that influence the use of smart meters - new electricity meters that are considered
instrumental to achieve substantial reductions in energy consumption, and therefore,
contribute to mitigate climate change impacts, while at the same time reduces dependency on
fossil fuels. Because they provide direct feedback (real-time and detailed information about
energy consumption) smart meters will allow individuals to play an active role, monitoring
their energy spending and changing their consumption routines. However, to this date little is
known about acceptance and use of this technology. The Theory of Reasoned Action, the
Technology Acceptance Model and other factors suggested in the literature are used to frame
these issues. First we conducted a quantitative study with a sample of 515 electricity
consumers with a smart meter installed in their homes. The results showed that subjective
norm, perceived utility, risk perception, procedural justice, as well as time of usage, determine
smart meter usage behaviour. In a second qualitative study, the analysis of the discourses of a
sample of blogs from current smart meter users confirmed some of the aspects found in the
first study and suggested other factors – perceived distributive injustice, health risk perception
and loss of control and privacy risk perception, among others – that can influence the use of
these new meters and that should be taken into account in future studies. Finally we discuss
the implications of these results and leve recommendations for the future.