PT
O presente trabalho de neurosociologia aborda a percepção musical como veículo
para compreender melhor as expressões sociais no córtex cerebral. Analisou-se as
características da percepção musical, recorrendo ao estudo eletroencefalográfico de
34 voluntários submetidos a uma sequência de estímulos musicais e não musicais,
concluindo que os processos de cognição só se despoletam realmente na presença de
música estruturada, mostrando que a música é uma linguagem social com significação
própria. Desenvolveu-se um novo tratamento para analisar electroencefalogramas
estatisticamente, denominado Percentagem de Variação Estímulo-antestímulo (PVE),
que se revelou bastante consistente. Estudaram-se posteriormente conceitos teóricos
da sociologia, operacionalizados num questionário aplicado aos voluntários, para
observar as diferenças geradas na mesma percepção musical. A escolaridade, a classe
social e a orientação social, expressaram tendências de formalizações neurológicas
das desigualdades sociais captadas teoricamente por estes conceitos, em que as
modalidades socialmente mais desfavorecidas revelaram uma percepção musical
menos eficiente. Ao analisar a diferença entre sexos observou-se diferenças entre as
duas percepções, indicando que as mulheres, em média, têm uma supressão de
frequências maior que a dos homens, não dando para distinguir o quanto da
explicação para essa diferença tem origens sociais. Estudou-se também como os
músicos se distinguem dos não músicos, ao ouvir música. Concluiu-se que os músicos
gerem melhor a informação musical, como seria de esperar, mas que ao contrário dos
restantes indivíduos, criam assimetrias entre hemisférios no lado direito, que pode
criar tendência para estarem mais sujeitos a depressões.
EN
This work on neurosociology addresses musical perception as a vehicle to understand
the social expressions in the cerebral cortex. We analyzed the characteristics of music
perception, using the electroencephalographic study of 34volunteers underwent a
series of musical and nonmusical stimuli and concluded that cognitive processes
trigger only in the very presence of music structured, showing that music is a social
language with significance of its own. It was developed a new data treatment for
electroencephalograms statistical analysis, called Percentage of Stimulus-prestimulous Variation (PSV), which proved quite consistent. We studied further the
theoretical concepts of sociology, made operational in a questionnaire given to the
volunteers to observe the differences generated in the same musical perception. The
school, the social class and social orientation, expressed trends of neurological
formalizations of social inequality captured by these theoretical concepts, in which
the socially disadvantaged modalities revealed a less efficient musical perception.
Analyzing the gender difference was observed differences between the two
perceptions, indicating that women on average have a greater frequency withdrawal
than men, not being able to distinguish how much of the explanation for this
difference has social origins. It was also studied as the musicians are distinguished
from non-musicians when listening to music. It was concluded that musicians manage
better the musical information, as expected, but unlike other individuals, create
asymmetries between hemispheres on the right side, which can create a tendency to
depression.