PT
Enquadramento teórico: A Inteligência Artificial (IA) afirma-se como uma das tecnologias
mais disruptivas do século XXI, ao remodelar processos empresariais, dinâmicas sociais e
paradigmas de produção de conhecimento. Os avanços em machine learning e deep learning,
potenciados pela capacidade computacional e pela disponibilidade massiva de dados, ampliam
a inovação e a eficiência, mas também suscitam preocupações críticas. Entre estas destacam-se
as desigualdades no acesso, os vieses algorítmicos, a opacidade dos sistemas e os desafios éticos
relacionados com autonomia e justiça social. No contexto português, a IA representa
simultaneamente oportunidade estratégica e risco de aprofundar assimetrias, exigindo políticas
inclusivas e sustentáveis.
Objetivo: Examinar os impactos da IA no tecido empresarial e na sociedade, com ênfase nas
dimensões económicas, sociais e éticas, identificando tendências futuras e implicações para
políticas públicas e práticas organizacionais.
Métodos: Adotou-se uma abordagem mista, articulando a análise qualitativa de 88 depoimentos
com uma revisão sistemática de 46 artigos científicos. O processo analítico foi complementado
com ferramentas computacionais, como o Orange Data Mining, para mapear padrões em áreas
como automatização, inclusão digital e governança algorítmica.
Resultados: A IA revelou ser um catalisador de transformação organizacional e social,
fomentando inovação e eficiência. Contudo, emergiram riscos significativos ligados à
privacidade, à intensificação de desigualdades e à ausência de mecanismos robustos de
regulação e transparência.
Conclusões: O impacto da IA não é intrínseco à tecnologia, mas depende das escolhas
sociopolíticas presentes. Governança ética, requalificação profissional e inclusão digital
constituem eixos fundamentais para maximizar benefícios e mitigar riscos, assegurando um
desenvolvimento sustentável e equitativo.
EN
Theoretical framework: Artificial Intelligence (AI) has emerged as one of the most disruptive
technologies of the 21st century, reshaping business processes, social dynamics, and knowledge
production paradigms. Advances in machine learning and deep learning, supported by growing
computational capacity and massive data availability, expand innovation and efficiency while
also raising critical concerns. These include unequal access, algorithmic bias, system opacity,
and ethical challenges related to autonomy and social justice. In the Portuguese context, AI
represents both a strategic opportunity and a risk of deepening asymmetries, requiring inclusive
and sustainable policies.
Objective: To examine the impacts of AI on business and society, with emphasis on economic,
social, and ethical dimensions, identifying future trends and implications for public policies and
organizational practices.
Methods: A mixed-methods approach was adopted, combining the qualitative analysis of 88
testimonies with a systematic review of 46 scientific articles. The analytical process was
complemented by computational tools, such as Orange Data Mining, to identify patterns in
areas such as automation, digital inclusion, and algorithmic governance.
Results: AI proved to be a catalyst for organizational and social transformation, fostering
innovation and efficiency. However, significant risks also emerged, particularly regarding
privacy, the reinforcement of inequalities, and the lack of robust mechanisms for regulation and
transparency.
Conclusions: The impact of AI is not intrinsic to the technology itself but depends on current
sociopolitical choices. Ethical governance, professional reskilling, and digital inclusion are
essential to maximize benefits and mitigate risks, ensuring sustainable and equitable
development.