PT
A gestão do Bloco Operatório (BO) constitui um dos maiores desafios na administração
hospitalar, dado o seu impacto clínico, económico e organizacional. O presente trabalho
centra-se no IPO Lisboa, uma instituição de referência no tratamento oncológico em Portugal,
e tem como objetivos diagnosticar as práticas atuais de gestão do BO e avaliar a aplicabilidade
do modelo de Centros de Responsabilidade Integrados (CRI) como alternativa viável. A
metodologia adotada combina revisão de literatura, entrevistas semiestruturadas a três
dirigentes com responsabilidade direta ou histórica na gestão do BO — dois diretores da atual
estrutura e um ex-diretor — e um inquérito a enfermeiros com experiência mínima de dois
anos neste serviço. Adicionalmente, foi desenvolvido um Balanced Scorecard (BSC) como
ferramenta estratégica para integrar objetivos e indicadores em quatro perspetivas: financeira,
utente, processos internos e aprendizagem/crescimento. Os resultados evidenciam
fragilidades estruturais relacionadas com registos incompletos, ausência de interoperabilidade
entre sistemas, desperdícios de tempo e recursos, insatisfação profissional e falta de
reconhecimento. As entrevistas revelaram uma perceção comum: o BO funciona como
prestador de serviços transversal, mas carece de autonomia efetiva para gerir recursos
humanos e materiais. Os inquéritos confirmaram descontentamento generalizado, sobretudo
ao nível da carga horária, remuneração e condições de trabalho. O BSC demonstrou ser útil
como matriz de análise e proposta de melhoria, articulando indicadores de desempenho que
podem sustentar a eficiência e a satisfação das equipas. No que respeita ao modelo CRI,
foram identificadas vantagens potenciais (maior autonomia, responsabilização e controlo de
custos), mas também desafios relevantes, nomeadamente a cultura organizacional vigente e
a dificuldade de atribuir autoridade direta sobre todos os profissionais envolvidos no BO.
Conclui-se que, apesar do potencial do modelo CRI, a sua implementação requer adaptações
significativas para o contexto específico do IPO Lisboa, devendo ser complementada por
melhorias tecnológicas, clarificação de responsabilidades e políticas motivacionais que
promovam a retenção de profissionais altamente qualificados.
EN
Operating Room (OR) management represents one of the greatest challenges in hospital
administration due to its clinical, economic, and organizational impact. This study focuses on
IPO Lisbon, a leading Portuguese cancer care institution, with the objectives of diagnosing
current OR management practices and assessing the applicability of the Integrated
Responsibility Centers (IRC) model as a feasible alternative. The methodology combines a
literature review, semi-structured interviews with three leaders directly or historically
responsible for OR management — two directors of the current structure and one former
director — and a survey of nurses with at least two years of experience in this unit. In addition,
a Balanced Scorecard (BSC) was developed as a strategic tool to align objectives and
indicators across four perspectives: financial, patient, internal processes, and learning/growth.
The findings highlight structural weaknesses such as incomplete records, lack of system
interoperability, waste of time and resources, professional dissatisfaction, and insufficient
recognition. Interviews revealed a shared perception of the OR as a cross-cutting service
provider that lacks genuine autonomy over human and material resources. Survey results
confirmed widespread dissatisfaction, particularly regarding workload, remuneration, and
working conditions. The BSC proved useful as an analytical and improvement framework,
linking performance indicators that can foster efficiency and staff satisfaction. Regarding the
IRC model, potential benefits were identified (greater autonomy, accountability, and cost
control), alongside significant challenges, including entrenched organizational culture and
difficulties in assigning direct authority over all OR professionals. The study concludes that
although the IRC model shows promise, its implementation at IPO Lisbon would require
significant adaptations, complemented by technological upgrades, clearer accountability
frameworks, and motivational policies to retain highly skilled professionals.