PT
A Diabetes Mellitus (DM) Tipo II constitui um dos maiores desafios de saúde pública, com elevada
prevalência mundial, bem como implicações sociais e económicas. A sua gestão eficaz exige não
apenas tratamento clínico adequado, mas também níveis elevados de Literacia em Saúde (LS) e
Literacia na Diabetes (LD). Este estudo teve como objetivo avaliar a LS e a LD, relacionando-os com
variáveis sociodemográficas, de forma a delinear estratégias de prevenção e gestão da doença.
Metodologia e amostra: A investigação incluiu uma amostra de 100 participantes, com idades
entre 18 e 75 anos, diagnosticados com DM tipo II e residentes em Portugal. Os dados foram analisados
através de estatística descritiva e inferencial. Adicionalmente, foram realizadas entrevistas semi-
estruturadas a profissionais de saúde, analisadas de forma categorial. Os resultados foram
confrontados com literatura pré-existente.
Principais resultados: A amostra era predominantemente idosa (média de 65,9 anos) e com
baixos níveis de escolaridade, embora a maioria exibisse níveis elevados de LS e LD. A escolaridade
revelou-se o principal determinante da literacia (H4), enquanto idade, sexo, estado civil e local de
residência não apresentaram associações significativas (H2, H3, H7). Participantes com LS mais elevada
demonstraram maior conhecimento sobre diabetes (H1), mas isso não se traduziu necessariamente
numa maior adesão a comportamentos de autocuidado (H5, H6, H8). A análise qualitativa confirmou
a importância da motivação e estratégias integradas para a gestão eficaz da doença.
Conclusões/implicações: Torna-se essencial melhorar os níveis de LS e LD. Para tal, recomenda-
se a implementação de programas educativos personalizados, integração da LS na prática clínica,
promovendo uma eficaz comunicação entre profissionais e doentes. Sugere-se futuros estudos
longitudinais, que avaliem a evolução da literacia e o impacto de intervenções estruturadas na adesão
a comportamentos de autocuidado, fulcrais na obtenção de ganhos em saúde.
EN
Type 2 Diabetes Mellitus (DM2) represents one of the greatest public health challenges, with high
global prevalence as well as significant social and economic implications. Its effective management
requires not only appropriate clinical treatment but also high levels of Health Literacy (HL) and
Diabetes Literacy (DL). This study aimed to assess HL and DL, relating them to sociodemographic
variables, to guide strategies for disease prevention and management.
Methodology and sample: The study included a sample of 100 participants, aged 18–75 years,
diagnosed with type 2 diabetes and residing in Portugal. Data were analyzed using descriptive and
inferential statistics. Additionally, semi-structured interviews were conducted with healthcare
professionals and analyzed categorically. The results were compared with existing literature.
Main results: The sample was predominantly older (mean age 65.9 years) and with low levels of
education, although most participants exhibited high levels of HL and DL. Education was identified as
the main determinant of literacy (H4), while age, sex, marital status, and place of residence showed
no significant associations (H2, H3, H7). Participants with higher HL demonstrated greater knowledge
of diabetes (H1), but this did not necessarily translate into higher adherence to self-care behaviors (H5,
H6, H8). The qualitative analysis confirmed the importance of motivation and integrated strategies for
effective disease management.
Conclusions and implications: Improving HL and DL is essential. It is recommended to implement
personalized educational programs, integrate literacy assessment into clinical practice, and promote
effective communication between healthcare professionals and patients. Future longitudinal studies
are suggested to evaluate the evolution of literacy and the impact of structured interventions on
adherence to self-care behaviors, which are crucial for achieving health gains.