PT
A obesidade constitui um desafio crescente de saúde pública em Portugal, com consequências
clínicas, sociais e económicas significativas. A semaglutida 2,4 mg (Wegovy®) demonstrou
elevada eficácia na redução de peso e no controlo de comorbilidades, mas o elevado custo
levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da comparticipação pública no Serviço Nacional de
Saúde (SNS).
Este estudo avaliou a viabilidade económica da comparticipação da semaglutida em
Portugal através de uma análise custo–benefício (ACB). Desenvolveu-se um modelo de decisão
com horizontes de 2 e 10 anos, incluindo custos de medicação, monitorização clínica,
complicações do tratamento e funcionamento, bem como benefícios resultantes de poupanças
em saúde, ganhos de produtividade e anos de vida ajustados pela qualidade (QALY). Foram
calculados o Valor Atual Líquido (VAL), a Taxa Benefício–Custo (TBC), o Retorno do
Investimento (ROI) e o Ponto de Equilíbrio (BEP), complementados por uma análise de
sensibilidade probabilística (PSA).
Os resultados mostram que, em 2 anos, a política não é viável, apresentando VAL negativo
(≈ –11.000€ por doente) e TBC < 1. Em 10 anos, os resultados tornam-se marginalmente
positivos (VAL ≈ 315€; TBC = 1,012; ROI = 1,2%), mas permanecem incertos: a probabilidade
de benefícios líquidos é de apenas 47%, com quase metade das simulações a apontar perdas.
Estes dados sugerem que a comparticipação universal seria fiscalmente insustentável e
politicamente difícil de justificar.
Apesar da limitada viabilidade económica, a semaglutida oferece benefícios clínicos e
sociais relevantes. Futuras investigações deverão explorar critérios de elegibilidade restrita e a
integração em cuidados multidisciplinares, equilibrando sustentabilidade financeira com o
valor social da redução da obesidade.
EN
Obesity is a major and growing public health challenge in Portugal, with significant health,
social, and economic consequences. Pharmacological innovations such as semaglutide 2.4 mg
(Wegovy®) have demonstrated unprecedented clinical efficacy in weight reduction and
comorbidity management. However, their high cost raises important questions about the
economic sustainability of public reimbursement in the Portuguese National Health Service
(SNS).
This study aimed to evaluate the economic viability of reimbursing semaglutide 2.4 mg in
Portugal through a cost–benefit analysis (CBA). A decision-analytic model was developed with
both short-term (2-year) and medium-term (10-year) horizons. The model incorporated five
cost categories—medication, clinical monitoring, treatment-related complications, overhead
costs—alongside estimated benefits from reduced healthcare costs, increased productivity, and
quality-adjusted life years (QALYs). Key economic indicators included Net Present Value
(NPV), Benefit–Cost Ratio (BCR), Return on Investment (ROI), and Break-Even Point (BEP).
Probabilistic sensitivity analysis (PSA) was also conducted.
Results indicate that in the 2-year horizon, the policy is not economically viable, with
average outcomes showing negative NPV (≈ –11,000€ per patient) and BCR below 1. In the
10-year horizon, results become marginally positive (NPV ≈ 315€; BCR = 1.012; ROI = 1.2%)
but remain highly uncertain: the probability of net benefits is only 47%, with nearly half of
simulated scenarios projecting losses. These findings suggest that universal reimbursement
would be fiscally unsustainable and politically unrealistic.
Despite limited economic viability, semaglutide provides important clinical, social, and
equity benefits that extend beyond conventional economic metrics. Future research should
explore restricted eligibility models and integration within multidisciplinary care pathways,
ensuring that economic considerations are balanced with the broader social value of reducing
obesity.