PT
A deficiência de iodo constitui ainda um problema de saúde pública, mesmo em países desenvolvidos
como Portugal, onde se observam défices ligeiros a moderados, com impacto particular em grávidas e
crianças. Considerada pela Organização Mundial da Saúde a principal causa evitável de atraso mental,
compromete o desenvolvimento neurocognitivo e a função tiroideia, com repercussões negativas na
qualidade de vida e no potencial socioeconómico das populações.
Este estudo de mestrado analisa o papel da literacia em saúde e das políticas públicas na
prevenção do défice de iodo em Portugal. A investigação combina três vertentes metodológicas: uma
revisão crítica da literatura científica, um estudo de caso internacional centrado na experiência suíça
e uma análise qualitativa de entrevistas a especialistas nacionais e internacionais. A componente
qualitativa baseou-se em três abordagens complementares — método de Gioia, análise categorial
segundo Bardin e análise temática indutiva — permitindo uma triangulação robusta dos resultados.
Os resultados revelam três dimensões críticas: literacia em saúde insuficiente, tanto na
população geral como entre profissionais; políticas públicas dispersas, voluntárias e pouco eficazes; e
uma limitada concertação intersectorial, exigindo maior articulação entre governo, indústria
alimentar e profissionais de saúde. A experiência suíça surge como referência internacional,
demonstrando que programas voluntários de iodização, quando acompanhados por monitorização
epidemiológica rigorosa e envolvimento do setor industrial, podem alcançar elevada adesão e
impacto.
Face a este panorama, propõe-se a implementação de um programa nacional estruturado,
assente em políticas públicas integradas, monitorização contínua, reforço da literacia e colaboração
com a indústria, com o objetivo de garantir a ingestão adequada de iodo e melhorar os indicadores
de saúde pública em Portugal.
EN
Iodine deficiency remains a relevant public health concern, even in developed countries such as
Portugal, where mild to moderate deficits are observed, with particular impact on pregnant women
and children. Recognized by the World Health Organization as the leading preventable cause of
mental impairment, iodine deficiency compromises neurocognitive development and thyroid
function, negatively affecting quality of life and the socioeconomic potential of populations.
This master’s thesis examines the role of health literacy and public policies in the prevention of
iodine deficiency in Portugal. The research integrates three methodological dimensions: a critical
review of the scientific literature, an international case study focused on Switzerland, and a
qualitative analysis of interviews with national and international experts. The qualitative component
was grounded in three complementary approaches — Gioia methodology, Bardin’s categorical
content analysis, and inductive thematic analysis — enabling a robust triangulation of findings.
The results highlight three critical dimensions: insufficient health literacy among both the general
population and healthcare professionals; fragmented, voluntary, and largely ineffective public
policies; and a limited intersectoral coordination, requiring stronger collaboration between
governmental institutions, the food industry, and public health professionals. The Swiss experience
emerges as an international benchmark, demonstrating that voluntary iodization programs, when
combined with rigorous epidemiological monitoring and active involvement of industry, can achieve
high adherence and significant impact.
In light of this scenario, the thesis proposes the development of a structured national program
based on integrated public policies, continuous monitoring, strengthened health literacy, and
engagement with the food industry, aiming to ensure adequate iodine intake and improve public
health indicators in Portugal